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Epilepsia infantil: o que eu preciso saber?

O que é Epilepsia?

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por episódios repetidos de atividade elétrica anormal no cérebro, resultando em crises epilépticas.

As crises epilépticas podem variar de breves episódios de perda de atenção a eventos prolongados que afetam todo o corpo. 

A crise epiléptica mais conhecida é a crise tônico clônica generalizada, em que a pessoa perde a consciência, cai no chão com o corpo enrijecido e apresenta abalos em todo o corpo, essa é a crise que as pessoas chamam comumente de convulsão.

Na infância a epilepsia é uma condição comum e pode se apresentar de diversas formas.

Como é feito o diagnóstico de epilepsia?

O diagnóstico de epilepsia é definido pelo risco de recorrência de crises. O que isso quer dizer?

Uma pessoa que tem uma crise epiléptica pode ter apenas essa crise em toda a vida e isso não caracterizaria o diagnóstico de epilepsia. Isso pode ocorrer, por exemplo, em quadros de infecção e traumatismos cranianos.

Dessa forma, o diagnóstico de epilepsia se dá quando uma pessoas apresenta dois ou mais episódios de crise epiléptica sem causa definida, ou apresenta risco elevado de recorrência de crises. 

O diagnóstico envolve a avaliação cuidadosa por um neurologista que poderá ser auxiliado por exames de imagem como a tomografia ou ressonância de crânio e o eletroencefalograma.

Tipos de Epilepsia:

Na infância, existem vários tipos de epilepsia. A classificação é importante para determinar o tratamento adequado. 

As epilepsia podem ser classificadas em três níveis:

1 – Tipos de crise:

  • Crise de início focal: inicia em uma parte específica do cérebro e pode se manifestar com ou sem perda da consciência.
  • Crise de início generalizado: afeta ambos os lados do cérebro e irá se manifestar com alterações da consciência, podendo ocorrer também convulsões.
  • Crise de início desconhecido: quando não é possível determinar se o início é focal ou generalizado.

A definição dos tipos de crise pode ser feita a partir dos sintomas apresentados, mas em algum caso só será confirmada após realização de exames, como o eletroencefalograma.

2 – Tipos de epilepsia:

  • Epilepsias focais: incluem distúrbios uni ou multifocais e crises que envolvem todo um lado do cérebro (hemisfério).
  • Epilepsias generalizadas: a pessoa apresenta crises de início generalizado e o eletroencefalograma sugestivo; está incluída nessa categoria e epilepsia de ausência infantil.
  • Epilepsias focais e generalizadas: grupo composto por aqueles que irão apresentar tanto crises focais como generalizadas em diferentes momentos.
  • Epilepsias desconhecidas: termo usado quando não é possível determinar se a  epilepsia é focal ou generalizada, em geral, por não haver dados clínicos suficientes.
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Depoimento pacientes
Depoimento de famílias atendidas pela Dra. Maria Augusta

3 – Síndromes epilépticas:

As síndromes epilépticas são condições clínicas que envolvem além de crises epilépticas, alterações típicas de eletroencefalograma e de exames de imagem, que ocorrem em associação. 

Algumas síndrome são específicas de algumas idades e podem ocorrer associadas a algumas comorbidades como déficit cognitivo, retardo do neurodesenvolvimento, entre outras.

A síndrome de West é um exemplo de síndrome epiléptica.

Causas da Epilepsia na Infância:

As causas da epilepsia na infância podem ser variadas e incluem:

  • Genéticas: epilepsias que são resultado de uma variante genética;
  • Lesões cerebrais: causadas por AVCs e traumatismos cranianos;
  • Malformações cerebrais: alterações na estrutura do cérebro durante o seu desenvolvimento;
  • Infecções: causa mais comum no mundo, inclui infecções como neurocisticercose, tuberculose, infecção pelo HIV, entre outras.
  • Distúrbios metabólicos: existem diversos distúrbios metabólicos que podem cursar com epilepsia.
  • Imunológicas: relacionadas ao diagnóstico de encefalites auto-imunes.

Sintomas da Epilepsia infantil:

Os sintomas da epilepsia são as crises epilépticas e essas podem variar amplamente. 

Existem crises caracterizadas por lapsos breves de atenção, espasmos nos braços ou pernas, fenômenos que parecem pequenos choques ou até mesmo convulsões.

No entanto, nem todas as crianças com crise epiléptica têm epilepsia. Algumas podem ter crises febris, que são comuns em crianças pequenas e geralmente não irão evoluir com diagnóstico de epilepsia.

Quais as síndromes epilépticas mais comuns na infância?

As síndromes epilépticas podem ser agrupadas a partir da idade de início de crises e enquanto algumas síndromes são autolimitadas, outras irão perdurar durante toda a vida. Alguns exemplos de síndromes epilépticas são:

  • Síndrome de espasmos epilépticos infantis: início entre 1 e 2 anos de idade, caracterizada por espasmos epilépticos. Estão incluídos nesse grupo os casos de síndrome de West que além dos espasmos irão apresentar retardo no neurodesenvolvimento e eletroencefalograma com padrão de hipsarritmia. O tratamento específico deve ser iniciado o quanto antes e a evolução é variável;
  • Síndrome de Dravet: início típico no primeiro ano de vida em crianças que apresentam episódios de crises com febre. evolui com crises de difícil controle com tratamento medicamentoso e a partir do segundo ano de vida as crianças passam a apresentar déficit cognitivo e alterações comportamentais. 80% dos casos apresentam uma variante no gene SCN1A, que codifica uma subunidade do canal de sódio neuronal;
  • Síndrome de Lennox-Gastaut: início entre 1 ano e 6 meses até 8 anos de idade, é caracterizada por múltiplos tipos de crises, com pouca resposta ao tratamento medicamentoso. Na maioria das crianças está associada a alguma lesão cerebral e evoluem de uma síndrome epiléptica anterior, como a síndrome de West, por exemplo. As crianças em geral irão apresentar atraso no neurodesenvolvimento e 90% apresentarão déficit intelectual; 
  • Epilepsia autolimitada com pontas centro temporais: também conhecida como epilepsia rolândica, inicia entre os 7 e 8 anos, caracterizada por crises breves e pouco frequentes, principalmente ao adormecer ou antes de acordar, em geral não tem indicação de tratamento  medicamentoso e resolve-se na adolescência com remissão de 92% dos casos até os 12 anos de idade;
  • Epilepsia de ausência infantil: inicia entre 4 e 10 em crianças anteriormente saudáveis e é mais comum em meninas, caracterizada por episódios breves (5 a 20 segundos) de perda de consciência que se repetem várias vezes ao dia, responde bem ao tratamento medicamentoso e quando não tratada pode interferir no aprendizado.
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Tratamento da Epilepsia infantil:

O tratamento da epilepsia na infância envolve uso de medicações específicas que podem variar de acordo com o tipo de epilepsia ou síndrome epiléptica.

Quando não há controle de crise, associações de medicações podem ser consideradas ou tratamentos alternativos.

Cerca de 30% das pessoas com epilepsia não irão apresentar controle adequado das crises, mesmo em uso da medicação correta. Esses casos recebem diagnóstico de epilepsia de difícil controle ou farmacorresistente.

Na epilepsia de difícil controle outras estratégias podem ser consideradas, como:

  • Dieta cetogênica;
  • Cirurgias para epilepsia;
  • Estimulação do nervo vago (dispositivo implantado cirurgicamente sob a pele, estimulando o nervo vago, com objetivo de auxiliar no controle de crises);
  • Outras medicações.

Como a epilepsia pode impactar na vida da criança?

A epilepsia pode ser motivo de grande preocupação para as famílias.

As crises podem gerar insegurança quanto ao desenvolvimento da criança, aprendizado, prática de atividades esportivas e de lazer.

  • Vida escolar: as crianças com epilepsia podem enfrentar desafios na escola, como dificuldades de aprendizado. É importante que as escolas sejam informadas sobre a condição para que possam oferecer o suporte necessário.
  • Atividades sociais: as crises podem limitar a prática de algumas atividades, como esportes. Mas, com controle adequado da condição, crianças com epilepsia levam vidas ativas e saudáveis.
  • Saúde emocional: a epilepsia pode afetar a saúde emocional da criança, levando a sentimentos de ansiedade. O apoio de um psicólogo pode ser essencial para ajudar a criança a lidar com essas situações.

Epilepsia infantil tem cura?

A epilepsia por definição é uma condição crônica, mas existe a possibilidade de cura em alguns casos:

  • Síndromes epilépticas limitadas à infância, remitem com a idade;
  • Algumas epilepsias podem evoluir com cura após procedimentos cirúrgicos;

A Liga Internacional contra a Epilepsia considera um paciente curado se ele estiver há mais de 10 anos sem crises e nos últimos 5 anos desse período ficou sem medicamentos.

Apoio e Recursos à família:

Existem organizações que oferecem suporte e informações sobre epilepsia, como a Associação Brasileira de Epilepsia que oferece informações e suporte para famílias e pessoas com epilepsia.

Grupos de apoio também podem ser úteis para compartilhar experiências e aprender com outros pais e cuidadores.

Para não esquecer:

A epilepsia infantil é uma condição complexa que requer compreensão e manejo adequados. 

Com o tratamento e suporte correto, muitas crianças com epilepsia podem levar vidas plenas e produtivas. 

É crucial que pais, educadores e profissionais de saúde trabalhem juntos para garantir que as necessidades das crianças sejam atendidas e que elas tenham acesso ao suporte necessário para prosperar.

Se você suspeita que sua criança possa ter epilepsia, não hesite em buscar avaliação com um neurologista infantil.

O diagnóstico correto e o tratamento adequado são fundamentais para o bem-estar da criança e de sua família.

Onde você pode encontrar mais informações:

Site da ILAE (liga mundial contra a epilepsia) – https://www.epilepsydiagnosis.org/index.html

Ministério da saúdehttps://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/marco/epilepsia-conheca-a-doenca-e-os-tratamentos-disponiveis-no-sus

Outros motivos para buscar um neurologista infantilhttps://neuropediatramaria.com.br/neurologista-infantil/

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