As crises febris são episódios relativamente comuns em crianças pequenas, estima-se que 2 a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos irão apresentar uma crise febril.
Em 90% dos casos, o primeiro episódio ocorre entre os 6 meses e 3 anos de idade.
Embora possam assustar e trazer preocupação para os pais e cuidadores, na maioria dos casos, elas não são sinais de condições graves.

A Dra. Maria Augusta é pediatra e neurologista infantil, já atendeu diversas famílias que chegaram preocupadas com sua criança que tinha tido um episódio de crise febril.
O atendimento com a Dra. Maria Augusta é sempre pautado nas evidências científicas mais atuais e dedicado à avaliação do paciente de uma forma completa.
Vamos entender um pouco mais sobre crise febril?
O que é uma crise febril?
Uma crise febril é uma “convulsão” que ocorre devido a um aumento rápido da temperatura corporal, na maioria das vezes, devido a uma infecção.
Não é necessário que a temperatura da febre seja muito alta, na verdade, elas ocorrem pelo aumento rápido da temperatura, então mesmo febres mais baixas, podem desencadear uma crise.
Em geral, as convulsões febris ocorrem até 24 horas do início da febre.
É importante lembrar que tais episódios não podem estar relacionados a um quadro de infecção do sistema nervoso central, como meningites, por exemplo.
É comum que ocorram devido a resfriados ou doenças exantemáticas da infância, como o exantema súbito.
As crianças que apresentam uma crise febril não têm necessariamente uma doença neurológica e, na maioria das vezes, não apresentam risco de sequelas permanentes.

Tipos de crises febris
Existem dois tipos principais de crises febris:
- Crise febril simples:
- Mais comum, afeta cerca de 2-5% das crianças com menos de 5 anos.
- Tem duração menor que 15 minutos;
- São generalizadas (os movimentos ocorrem em todo o corpo)
- Não recorrem nas próximas 24 horas do primeiro episódio.
- Crise febril complexa:
- Acontece em menos de 10% dos casos de crises febris.
- Dura mais de 15 minutos
- Pode ter características focais (afetando apenas um lado do corpo, por exemplo).
- Podem recorrer nas primeiras 24 horas.
Sinais e sintomas de uma crise febril
O mais comum é que durante um episódio de crise febril a criança apresente perda da consciência acompanhada por rigidez e abalos dos membros, mas outros tipos de crise também podem ocorrer.
- Perda de consciência: a criança parece”desmaiada”, não respondendo aos chamados ou estímulos.
- Postura tônica: O corpo e membro ficam rígidos e em posturas fixas.
- Movimentos involuntários: Movimentos bruscos, como tremores ou contrações musculares, principalmente nos braços e pernas.
- Olhos revirados ou fixos: Os olhos podem se mover de maneira anormal ou ficar fixos em uma direção.
O que fazer durante uma crise febril?

É normal ficar assustado ao presenciar um episódio de crise, mas tente manter a calma.
Aqui estão alguns passos que você pode seguir:
- Proteja a criança: coloque-a deitada de lado, apoiando a cabeça no colo ou travesseiro em um local onde ela não possa se machucar. Evite segurá-la ou tentar “segurar” os movimentos dela.
- Afaste objetos perigosos: afaste qualquer objeto duro ou perigoso que possa machucar a criança durante a crise.
- Observe o tempo da crise: se possível, tente filmar a crise e cronometrar o tempo de crise. Se durar mais de 5 minutos, entre em contato com o SAMU.
- Não coloque nada na boca da criança: não tente colocar nada na boca dela, nem mesmo o seu dedo. Não existe risco da criança engolir a própria língua.
- Não ofereça líquidos ou alimentos: durante a crise, a criança não tem controle da deglutição e isso pode levar a um quadro de engasgo e asfixia.
- Não coloque a criança no banho ou jogue água no rosto. Essas práticas não têm nenhum benefício no momento da crise.
Quando procurar ajuda médica?
Embora a maioria das crises febris seja inofensiva, existem algumas situações em que você deve procurar avaliação médica imediatamente:
- É a primeira vez que a criança tem uma crise febril.
- A crise dura mais de 5 minutos.
- A criança tem febre persistente, ou febre acompanhada de outros sintomas graves.
Fatores de risco para uma nova crise febril
A maioria das crianças irá apresentar apenas um episódio de crise febril na vida (apenas 30% recorrem), mas existem alguns fatores que podem aumentar o risco de uma criança ter outros episódios de crises febris:
- Idade: crianças que apresentam o primeiro episódio de crise febril antes de um ano, têm maior risco de recorrência.
- Histórico familiar: se algum dos pais ou irmãos teve crises febris na infância
- Temperatura da febre: quanto mais baixa a temperatura da febre que desencadeou a crise, maior a chance de recorrência
- Duração da crise: quanto mais longo o primeiro episódio, maior a chance de recorrência.

Existe chance de “virar” epilepsia?
2 a 7% das crianças que tiveram um episódio de crise febril podem desenvolver epilepsia, um risco um pouco maior que a população geral.
Alguns fatores aumentam a chance de tal evolução:
- Presença de anormalidade neurológica prévia;
- História familiar de epilepsia e de crise febril;
- Crise febril complexa.
Como prevenir a ocorrência de novos episódios de crises febris?
Não é possível prevenir completamente as crises febris.
Estudos controlados demonstraram que o uso de medicamento antitérmico e controle rigoroso da febre durante quadros infecciosos não previne a recorrência das convulsões febris.
Tratamento profilático com medicamentos antiepilépticos geralmente não é indicado. Mas pode ser considerado em crianças com crise febril complexa, múltiplos episódios de crise ou grande ansiedade dos pais.
O tratamento deve ser avaliado individualmente por um neurologista infantil.

O que fazer após a crise febril?
Após uma crise febril, a maioria das crianças se recupera rapidamente e retoma suas atividades normais.
No entanto, o episódio pode ser assustador para os pais e é importante garantir que a criança seja avaliada e acompanhada por um profissional capacitado.
Apenas a avaliação médica adequada poderá determinar a necessidade de realização de exames e confirmar o diagnóstico de crise febril, além de definir qual a melhor conduta a ser tomada.
Se seu filho já teve uma convulsão com febre e você está procurando uma avaliação especializada, agende sua consulta.
A Dra Maria Augusta irá realizar uma avaliação minuciosa do caso da sua criança, em uma consulta tranquila e sem pressa.
Vocês receberão todas as informações necessárias para saber como agir em caso de uma nova convulsão e qual a melhor abordagem indicada no caso da sua criança.
Para ficar na memória:
- As crises febris são um problema neurológico comum na infância, mas são geralmente benignas e desaparecem até os 5 anos;
- Elas ocorrem com maior frequência em crianças pequenas, com baixos riscos de evoluir para epilepsia e não há evidências convincentes de que prevenir crises febris recorrentes reduza esse risco.
- A chave para lidar com uma crise febril é manter a calma, agir de forma adequada durante o episódio e buscar orientação especializada.
- A opção ou não pelo tratamento e qual a melhor forma de fazê-lo envolve aspectos individuais, familiares e a estrutura social em que a criança está inserida e deve ser discutida com um profissional capacitado.
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Febre: quando me preocupar? – https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/HSE_URM_FEB_0804.pdf