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Bebês de risco: a importância do acompanhamento neurológico.

O nascimento de um bebê traz muita alegria para a família, mas, o nascimento de um bebê de risco, pode vir acompanhado de diversas preocupações.

Quando um bebê nasce prematuro, com baixo peso, ou enfrenta complicações durante a gestação ou o parto, surge a ansiedade de que talvez o desenvolvimento não irá seguir o curso esperado. E é aí que entra a importância do acompanhamento especializado com um neuropediatra.

O acompanhamento de um bebê de risco pelo neuropediatra pode fazer toda a diferença no futuro da criança.

bebês de risco
dra. maria augusta

Mas o que é considerado um bebê de risco?

Um bebê de risco para atraso no neurodesenvolvimento é aquele que, devido a uma série de fatores, tem maior probabilidade de apresentar dificuldades em atingir os marcos do desenvolvimento motor, de linguagem, cognitivo ou sócio-emocional no período esperado.

Os fatores de risco podem variar, mas alguns dos mais comuns incluem:

Prematuridade

Bebês nascidos antes da 37ª semana de gestação, especialmente antes da 32ª semana (a gestação é considerada a termo com 40 semanas), têm um cérebro imaturo que ainda está em processo de desenvolvimento. 

Nas últimas semanas de gestação, o cérebro passa por modificações complexas, com a formação de inúmeras conexões neuronais essenciais para o processamento do neurodesenvolvimento.

Quando um bebê nasce prematuro, essa fase pode ficar prejudicada, o que pode afetar a formação das estruturas cerebrais e das conexões necessárias para um desenvolvimento saudável.

Além disso, o cérebro do bebê prematuro é mais vulnerável a lesões devido à imaturidade,  ​o risco de complicações graves, como a hemorragia peri e intraventricular (sangramentos no cérebro), é maior devido a fragilidade das estruturas cerebrais no bebê prematuro. 

A prematuridade está associada a maiores riscos de problemas neurológicos, como paralisia cerebral, dificuldades motoras e cognitivas, além de atrasos na fala e no desenvolvimento emocional.

Como calcular a idade corrigida do bebê prematuro?

Para calcular a idade corrigida de um bebê você precisa saber com quantas semanas de gestação ele nasceu e qual sua idade cronológica (idade real, ou seja, o tempo que se passou desde o seu nascimento até o momento atual).

Lembre-se que é considerado prematuro um bebê que nasceu com menos de 37 semanas de gestação e usamos como base de cálculo da gestação a termo, 40 semanas.

Por exemplo, um bebê nascido de 32 semanas, está hoje com 4 meses de idade cronológica. Como calculamos a idade corrigida:

  • 40 – 32 = 8 semanas, que equivale a 2 meses (cada mês tem 4 semanas);
  • 4 meses (idade cronológica) – 2 meses (diferença em meses para uma gestação a termo) = 2 meses de idade corrigida.

O calculo da idade corrigida é importante, pois ao avaliar um bebê prematuro, devemos levar em consideração os marcos esperados para a idade corrigida e não idade cronológica.

prematuro

Baixo Peso ao Nascer

Um bebê é considerado com baixo peso, quando nasce com menos de 2.500 gramas, e, especialmente se for prematuro, pode ter um desenvolvimento cerebral prejudicado, o que pode refletir em dificuldades no neurodesenvolvimento. 

O baixo peso ao nascer pode ser um sinal de prematuridade, problemas com a placenta ou fatores maternos (como alimentação inadequada ou doenças gestacionais).

Durante a gestação, o cérebro do bebê passa por um processo intenso de formação e amadurecimento, especialmente ao final da gestação. 

O crescimento e o desenvolvimento cerebral adequados dependem de nutrientes essenciais que o bebê recebe através da placenta.

Quando o bebê nasce com baixo peso, isso pode indicar que não foram ofertadas as quantidades adequadas de nutrientes, oxigênio e calorias durante a gestação, afetando diretamente o desenvolvimento do cérebro.

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Avaliação de famílias de pacientes atendidos pela Dra. Maria Augusta

Anóxia Perinatal (Falta de Oxigênio ao Nascer)

Quando um bebê não recebe oxigênio suficiente durante o parto, isso pode causar lesões cerebrais que impactam áreas responsáveis pelo movimento, pela fala e pelo comportamento. 

O cérebro do bebê é altamente sensível à falta de oxigênio, quando ocorre a anóxia, o cérebro sofre danos diretos devido à falta de oxigênio e indiretos devido a uma cascata de eventos que irá resultar em morte dos neurônios e, consequentemente, uma série de complicações neurológicas.

A pontuação de Apgar é um dos principais instrumentos utilizados para avaliar a condição do bebê imediatamente após o nascimento. Ela foi desenvolvida pela médica anestesiologista Virginia Apgar em 1952 e tem como objetivo identificar rapidamente problemas de saúde que possam exigir intervenção imediata. 

A pontuação de Apgar é avaliada no 1o e 5o minuto após o nascimento e leva em conta cinco parâmetros vitais:

  1. Frequência cardíaca: Avalia a circulação sanguínea e a oxigenação do bebê.
  2. Esforço respiratório: Indica se o bebê está respirando adequadamente.
  3. Tônus muscular: Reflete a atividade motora do bebê e sua resposta ao estímulo.
  4. Resposta à irritação (reflexos): Verifica a reação do bebê a estímulos externos.
  5. Cor da pele: Avalia indiretamente a oxigenação do sangue e a circulação periférica (o bebê deve ter uma cor rosada, com os lábios e extremidades apresentando boa perfusão).

Uma pontuação baixa de Apgar logo após o nascimento é um dos principais sinais de que o bebê pode estar sofrendo de anóxia.

Um baixo índice de Apgar no quinto minuto foi fortemente associado a um maior risco de morte neonatal e infantil, atribuível à presença de anóxia ou infecção.

Bebês que sofrem de anóxia neonatal podem ter um risco maior de desenvolver problemas neurológicos, como paralisia cerebral e dificuldades de aprendizagem.

gestante

Infecções Neonatais

Infecções graves no período neonatal, podem ocorrer através de duas vias de contaminação:

  • Intra útero: através da placenta ou via ascendente, quando há ruptura prematura da membrana e o parto não ocorre imediatamente (bolsa se rompe e o bebê demora para nascer).
  • Após o nascimento: por contato direto com a mãe (lesões de herpes por exemplo), familiares e profissionais da saúde, ou por contato indireto, pelo uso de objetos que possam estar contaminados.

As infecções congênitas mais comuns são aquelas causadas pelo citomegalovírus (CMV), herpes simples, rubéola, toxoplasmose, sífilis, hepatite B, vírus da imunodeficiência humana (HIV) e vírus zika.

Já as infecções que ocorrem após o nascimento, se destacam a meningite e outras infecções do trato respiratório e gastrointestinal, que podem variar em gravidade.

A incidência de infecção em recém-nascidos, principalmente aqueles internados em UTI neonatal, ocorre devido ao uso de dispositivos invasivos (sondas, cateteres, acesso venoso etc) e de antimicrobianos de amplo espectro, associados à fragilidade dos mecanismos de defesa do recém nascido, como a imaturidade do sistema imunológico e das barreiras protetoras da pele e mucosas.

A ocorrência de infecções no período neonatal pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, afetando tanto as funções motoras quanto cognitivas.

mãe e bebê

Fatores Genéticos

Síndromes genéticas como a síndrome de Down, a síndrome de Williams entre outras podem interferir no desenvolvimento do bebê desde o nascimento. 

Doenças genéticas são causadas por alterações nos genes ou cromossomos.

Os genes são feitos de DNA, material que contém informações para o funcionamento das células e que determinam as características de cada indivíduo.

Os cromossomos são estruturas que mantêm os genes dentro de cada célula.

As doenças genéticas podem ser herdadas no material genético dos pais ou podem surgir pela primeira vez em um indivíduo (variante “de novo“). 

Algumas condições genéticas podem afetar a formação, crescimento e amadurecimento cerebral e com isso, levar a alterações do neurodesenvolvimento.

Exposição a Substâncias Durante a Gestação

Algumas substâncias como o álcool, cigarro, drogas ilícitas ou medicamentos podem interferir no processo de formação e amadurecimento do sistema nervoso.

A exposição a tais substâncias durante a gestação poderá levar a atrasos e transtornos do neurodesenvolvimento.

O Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), por exemplo, está diretamente relacionado à exposição ao álcool durante a gravidez e pode causar uma série de problemas, como dificuldades cognitivas, de aprendizado, problemas de atenção e de comportamento.

estímulos

Ambiente Inadequado ou Privação de Estímulos

Bebês que nascem em ambientes de privação de cuidados ou em situações de negligência grave, estresse crônico ou traumas podem desenvolver dificuldades emocionais e cognitivas. 

O cérebro do bebê é extremamente plástico e sensível a estressores externos nos primeiros anos de vida.

A falta de estímulos adequados e situações de negligência podem afetar o desenvolvimento das sinapses e comprometer a aprendizagem e o comportamento social.

Como ocorre o neurodesenvolvimento?

O neurodesenvolvimento é o processo pelo qual o cérebro e o todo o sistema nervoso se formam e se desenvolvem ao longo da infância. 

Esse processo começa ainda na gestação e continua ao longo dos primeiros anos de vida, sendo influenciado por fatores genéticos e ambientais. 

Desde o momento da concepção, o cérebro do bebê começa a se desenvolver, com a formação e migração dos neurônios, além da formação das sinapses (conexões entre os neurônios).

Nos primeiros anos, a quantidade de sinapses no cérebro aumenta exponencialmente, com 600 a 800 novas conexões sendo criadas a cada segundo!

Durante o desenvolvimento, o cérebro também passa por um processo de poda neural, onde conexões menos usadas são descartadas, enquanto as mais importantes são reforçadas, um processo essencial para que as habilidades mais utilizadas e desenvolvidas pela criança se tornem mais eficientes.

As interações com os pais, familiares e o ambiente ao redor são fundamentais para a formação das sinapses.

Bebês inseridos em um ambiente com afeto e estímulos como conversas, músicas e brincadeiras adequadas ao seu estágio de desenvolvimento têm maior chance de formar conexões mais fortes no cérebro, favorecendo o aprendizado e o desenvolvimento saudável.

médica

Por que o acompanhamento com o neuropediatra?

O acompanhamento especializado desde os primeiros dias de vida são fundamentais para prevenir e detectar precocemente possíveis atrasos no neurodesenvolvimento. 

O neurologista infantil é um especialista em neurodesenvolvimento e tem a formação necessária para identificar sinais que muitas vezes passam despercebidos pelos pais e até mesmo por outros profissionais. 

Bebês de risco, como prematuros, que sofreram asfixia no parto ou tiveram infecções neonatais, podem apresentar déficits no neurodesenvolvimento e o diagnóstico precoce é essencial para que essas dificuldades sejam abordadas da melhor forma possível.

Além disso, o neuropediatra trabalha de forma integrada com outros profissionais, como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e fonoaudiólogos, para traçar um plano de cuidado completo para o bebê. 

leitura

Para ficar na memória:

O nascimento de um bebê é um momento único e de grande expectativa na vida das famílias e a chegada de um bebê com riscos para atrasos no neurodesenvolvimento, pode gerar muitas dúvidas.

A chave para um bom prognóstico é o diagnóstico e a intervenção precoces.

O acompanhamento por um neuropediatra especializado é essencial para monitorar o desenvolvimento de bebês de risco e propor as melhores estratégias de acompanhamento e intervenções necessárias.

Leia também

Sobre o neurodesenvolvimentohttps://neuropediatramaria.com.br/marcos-do-desenvolvimento-como-o-cerebro-infantil-se-desenvolve/

Quando buscar um neuropediatrahttps://neuropediatramaria.com.br/neurologista-infantil/

Manual Sociedade Brasileira de Pediatriahttps://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/24651c-ManSeguimento_RN_AltoRisco_MIOLO.pdf

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