O que é a leucomalácia?
A leucomalácia é uma lesão cerebral que afeta a substância branca do cérebro, especialmente em bebês prematuros.
A substância branca é formada pelos axônios dos neurônios que estão envolvidos por uma bainha protetora chamada mielina.

Quando há uma lesão nessa região, pode haver dificuldade na conexão entre diferentes áreas cerebrais, o que pode impactar o desenvolvimento motor, cognitivo e até comportamental da criança.
Estima-se que entre 5% e 10% dos bebês prematuros abaixo de 32 semanas desenvolvem algum grau de leucomalácia.
Por isso a importância do acompanhamento especializado de bebês com algum fator de risco para a ocorrência da leucomalácia.

A Dra Maria Augusta, como neurologista infantil, acompanha crianças com leucomalácia e outras lesões cerebrais que podem levar a atrasos no neurodesenvolvimento.
Com uma abordagem humanizada e atendimento detalhado e individualizado é possível orientar as famílias quanto ao melhor tratamento, oferecendo todo o suporte necessário.

Por que a leucomalácia acontece?
Essa lesão geralmente ocorre por uma falta de oxigênio e de fluxo sanguíneo adequado para o cérebro.
Bebês prematuros têm maior chance de apresentar essa lesão pela fragilidade dos vasos sanguíneos, favorecendo a ocorrência de sangramentos e, consequentemente, da leucomalácia.
A leucomalácia acontece especialmente nas áreas ao redor dos ventrículos laterais (que são espaços cheios de líquido dentro do cérebro).
Os principais fatores de risco incluem:
- Prematuridade, especialmente os menores de 32 semanas;
- Bebês nascido com peso menor que 1500g;
- Infecções intra uterinas ou pós-natais;
- Gestação gemelar;
- Intubação após o nascimento (bebês que após o nascimento precisam de auxílio para respirar e ficam na UTI neonatal).

Quais são os sintomas associados à leucomalácia?
A leucomalácia periventricular afeta o desenvolvimento infantil e os sinais e sintomas são variáveis.
Os sinais mais precoces incluem dificuldades no controle muscular e reflexos anormais.
À medida que as crianças crescem, podem ser observados sinais de atrasos na aquisição dos marcos do desenvolvimento, como:
- Atrasos motores como sentar e andar;
- Problemas de coordenação;
- Atrasos na fala;
- Dificuldades de aprendizagem.

É crucial identificar os sintomas cedo. Isso permite que sejam feitas intervenções e terapias precoces, melhorando o desenvolvimento da criança.
É importante destacar que nem toda criança com leucomalácia terá grandes dificuldades no futuro.
Tudo depende da extensão da lesão, da área afetada, do tempo de intervenção e da estimulação oferecida nos primeiros anos de vida.
Alguns sinais de alerta para ficar atento
- Dificuldade de fixar o olhar ou interagir com os pais;
- Pouca movimentação dos braços ou pernas;
- Postura enrijecida (muito “durinho”) ou flácida demais (muito “molinho”);
- Assimetria nos movimentos (mexe mais um lado do corpo).
- Atraso nos marcos do desenvolvimento, em qualquer idade.

Como é feito o diagnóstico?
É possível identificar as lesões característica em exames de imagem, como:
- Ultrassom transfontanela: realizado enquanto a moleira está aberta, pode ser realizado dentro da UTI neonatal, mas pode ter limitações dependendo do tamanho da lesão;
- Ressonância magnética do crânio: exame mais detalhado do cérebro, que mostra com mais precisão o grau e a extensão da lesão.
Também é essencial a avaliação clínica.
O neurologista infantil poderá observar o desenvolvimento da criança e possíveis sinais precoces de que algo não está evoluindo como esperado.

Assim, é possível agir rápido, potencializando o acompanhamento com uma equipe multiprofissional de reabilitação.
Quais são as consequências possíveis da leucomalácia?
Crianças com leucomalácia têm um maior risco de paralisia cerebral e outras condições neurológicas, como epilepsia.
Essas complicações podem criar grandes desafios no dia a dia.
Por isso, entender os riscos é crucial para um bom planejamento de tratamento e acompanhamento médico.
Como é o tratamento da leucomalácia?
A leucomalácia não tem cura, mas a estimulação iniciada em momento oportuno pode fazer uma enorme diferença no desenvolvimento da criança.
Quanto mais cedo a criança começar fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, melhor é o aproveitamento da neuroplasticidade cerebral e melhor o prognóstico de desenvolvimento.
Algumas medicações podem ser prescritas pelo neurologista para melhora da espasticidade ou para tratamento da epilepsia quando necessário.

Como a família pode ajudar?
- Acredite nas potencialidades da criança – não se prenda apenas ao diagnóstico;
- Busque acompanhamento com profissionais capacitados. Uma equipe especializada faz toda a diferença no acompanhamento.
- Brinque com a criança, o brincar é a linguagem da infância e ajuda no desenvolvimento motor, cognitivo e emocional;
- Estabeleça rotina, limites e carinho, isso traz segurança e previsibilidade;
- Busque apoio emocional: conversar com profissionais ou grupos de apoio pode ajudar a lidar com os desafios do dia a dia

Suas perguntas respondidas
O que é leucomalácia periventricular?
A leucomalácia periventricular é uma lesão cerebral que afeta a substância branca do cérebro. Ela é comum em recém-nascidos prematuros. Pode causar dificuldades motoras e cognitivas.
Quais são as causas da leucomalácia periventricular?
As causas incluem falta de oxigênio no parto, infecções e problemas circulatórios. A prematuridade, especialmente antes de 32 semanas, é um fator de risco.
Quais são os sintomas associados à leucomalácia periventricular?
Os sintomas incluem dificuldade em controlar os músculos e reflexos anormais. Também pode ocorrer atraso no desenvolvimento. É crucial identificar cedo para ajudar.
Como é feito o diagnóstico da leucomalácia periventricular?
O diagnóstico é feito a partir de exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética.
Quais os tratamentos para a leucomalácia periventricular?
O tratamento inclui acompanhamento com equipe de reabilitação, incluindo fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional.
Quais são as complicações da leucomalácia periventricular?
As complicações podem incluir atrasos no desenvolvimento, paralisia cerebral e epilepsia.
Por que é importante o acompanhamento médico?
O acompanhamento regular ajuda a monitorar o desenvolvimento da criança e ajustar as terapias conforme necessário.

Para ler também:
Paralisia cerebral – https://neuropediatramaria.com.br/entendendo-a-paralisia-cerebral/
Desenvolvimento infantil – https://neuropediatramaria.com.br/marcos-do-desenvolvimento-cerebro-infantil/
Bebês de risco – https://neuropediatramaria.com.br/bebes-de-risco-acompanhamento-neurologico/
Artigo científico – https://rmmg.org/artigo/detalhes/1739